Mostrando postagens com marcador cora coralina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cora coralina. Mostrar todas as postagens

5 de janeiro de 2012

Pedras e flores...

 

Sobre pedras e flores

Fui juntando todas as pedras
que vieram sobre mim.
Construí um muro alto pra
me proteger por um tempo,
e depois o destruí...

Construí uma ponte com as pedras
da inveja e da ignorância que jogaram
em mim, espalhei flores no caminho,
Olhei para trás, chorei e sorri...
Flores coloridas pela ingenuidade,
Perfumadas pela sinceridade,
Flores de amizade.

Falta de sensibilidade
Queimando na chama da vaidade
Pessoas "egoecídas"
Endurecidas como uma pedra...

Entre pedras e flores
Vou construindo minha vida...
Quebrar as pedras
E plantar flores
Como o coração da Coralina me ensinou =)


Com base no original "Das Pedras" de Cora Coralina - Meu Livro de Cordel, p.13, 8°ed., 1998.

6 de abril de 2011

Filhos da terra...

  HUMILDADE


Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.

(Cora Coralina  - Meu livro de Cordel, p. 59 )



Tá aí uma virtude, no meu ponto de vista, pouco compreendida. Muitas pessoas confundem ser servil, humilde com subserviência. Pra mim, servilismo não tem nada a ver com  humildade. Ser servil, humilde, manso de coração não significa ser bajulador, condescendente com situações injustas. Mas não vou dissertar sobre esse assunto, mesmo porque, nem me sinto à vontade, pois tenho consciência que ainda deixo o meu Ego ofuscar essa virtude tão maravilhosa, que espero conquistar um dia. Por ora, procuro refletir sobre o convite da Veneranda Joanna de Ângelis...

Convite à Humildade

“Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.”  (Mateus: capítulo 11º, versículo 28.)
 
Os que são incapazes de conseguí-la identificam-na como fraqueza. Os pessimistas que chafurdam no poço do orgulho ferido e não se dispõem à luta, detestam-na, porque se sentem incapazes de possuí-la.
Os derrotistas utilizam-se da subestima para denegri-la. Os fracos, falsamente investidos de força, falseiam-lhe o significado, deturpando-lhe a soberana realidade. Porque muitos não lograram vivê-la e derraparam em plenos exercícios, desconsideram-na. Ela, no entanto, fulgura e prossegue.
Sustenta no cansaço, acalenta  nas dores, robustece na luta, encoraja no insucesso, levanta na queda... Louva a dor que corrige, abençoa a dificuldade que ensina, agradece a soledade que exercita a reflexão, ampara o trabalho que disciplina e é reconhecida a todos, inclusive aos que passam por maus, por ensinarem, embora inconscientemente, o valor dos bons  e a excelência do bem. Chega e dulcifica a  amargura, balsamizando qualquer ferida exposta, mesmo em chaga repelente. Identifica-se pela meiguice e, sutil, agrada, oferecendo plenitude, quando tudo conspira contra a paz de que se faz instrumento. Escudo dos verdadeiros herois, tem sido a coroa dos mártires, o sinal dos santos e a característica dos sábios. Com ela o homem adquire grandeza interior e, considerando a majestade da Criação, como membro atuante da vida, que é, eleva-se e, assim, eleva a humanidade inteira. Conquistá-la, ao fim das pelejas exaustivas, é lograr paz. No diálogo entre Jesus e Pilatos, esteve presente no silêncio do Amigo Divino e ausente no enganado fâmulo de César...
Seu nome é humildade. 

*Extraído do Livro: Convites da vida de Divaldo Franco

5 de março de 2011

Mulheres com M maiúsculo...

 SEMANA DA MULHER

Já não é novidade pra ninguém: uma propaganda ali, uma promoção acolá, todos sabem (ou deveriam saber), que o dia 08 de Março é o Dia Internacional da Mulher, e para comemorar a simbólica data, a partir de hoje, postarei poemas, textos, entrevistas e até mesmo, obras de arte de mulheres maravilhosas que revolucionaram, de alguma forma, as artes e a educação do nosso país.
Como não poderia ser diferente, a escolhida para estrear a "edição especial" deste humilde Blog será a minha amada Cora Coralina, ou Cora Coralinda, como costumo chamá-la na intimidade.
***
CORA CORALINA, QUEM É VOCÊ?



Sou mulher como outra qualquer.
Venho do século passado
e trago comigo todas as idades.
Nasci numa rebaixa de serra
Entre serras e morros.
“Longe de todos os lugares”.
Numa cidade de onde levaram
o ouro e deixaram as pedras.
Junto a estas decorreram
a minha infância e adolescência.
Aos meus anseios respondiam
as escarpas agrestes.
E eu fechada dentro
da imensa serrania
que se azulava na distância longínqua.

Numa ânsia de vida eu abria
O vôo nas asas impossíveis
do sonho.

Venho do século passado.
Pertenço a uma geração
ponte, entre a libertação
dos escravos e o trabalhador livre.
Entre a monarquia caída e a república
que se instalava.

Todo o ranço do passado era presente.
A brutalidade, a incompreensão, a ignorância, o carrancismo.
Os castigos corporais.
Nas casas. Nas escolas.
Nos quartéis e nas roças.
A criança não tinha vez,
Os adultos eram sádicos
  aplicavam castigos humilhantes.


Tive uma velha mestra que já
havia ensinado uma geração
antes da minha.
Os métodos de ensino eram
antiquados e aprendi as letras
em livros superados de que
ninguém mais fala.
Nunca os algarismos me
entraram no entendimento.
De certo pela pobreza que marcaria
Para sempre minha vida.
Precisei pouco dos números.



Sendo eu mais doméstica 
do que intelectual,
não escrevo jamais de forma
consciente e racionada, e sim
impelida por um impulso incontrolável.
Sendo assim, tenho a
consciência de ser autêntica.
Nasci para escrever, mas, o meio,
o tempo, as criaturas e fatores
outros, contra-marcaram minha vida.

Sou mais doceira e cozinheira
Do que escritora, sendo a culinária
a mais nobre de todas as Artes:
objetiva, concreta, jamais abstrata
a que está ligada à vida e  à saúde humana.

Nunca recebi estímulos familiares 
para ser literata.
Sempre houve na família, 
senão uma hostilidade, pelo menos
uma reserva determinada   
     a essa minha tendência inata. 




Talvez, por tudo isso e muito mais, 
sinta dentro de mim, 
no fundo dos meus reservatórios secretos, 
um vago desejo de analfabetismo.
Sobrevivi, me recompondo aos
bocados, à dura compreensão dos
rígidos preconceitos do passado.
Preconceitos de classe.
Preconceitos de cor e de família.
Preconceitos econômicos.
Férreos preconceitos sociais.
A escola da vida me suplementou
as deficiências da escola primária
  que outras o destino não me deu.

Foi assim que cheguei
a este livro
Sem referências a mencionar.

Nenhum primeiro prêmio.
Nenhum segundo lugar.

Nem Menção Honrosa.
Nenhuma Láurea.

Apenas a autenticidade da minha
poesia arrancada aos pedaços
do fundo da minha sensibilidade,
e este anseio:
procuro superar todos os dias




Minha própria personalidade
renovada, despedaçando 

dentro de mim
tudo que é velho e morto.

Luta, a palavra vibrante
que levanta os fracos
e determina os fortes.

Quem sentirá a Vida
destas páginas...
Gerações que hão de vir
de gerações que vão nascer.



Meu Livro de Cordel, p.73 -76, 8°ed, 1998
Fonte: http://www.casadecoracoralina.com.br/poemas2.html

3 de janeiro de 2011

Coragem e poesia...


DAS PEDRAS

Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.

Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.

Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.

Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.

Cora Coralina - Meu Livro de Cordel, p.13, 8°ed., 1998

2 de janeiro de 2011

Não tem como não amar...


Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha um poema.
E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede.

In: Vinténs de cobre: meias confissões de Aninha, 1983.