22 de janeiro de 2011

Gratidão...

 "Quem não sabe agradecer, não sabe receber, e muito menos, pedir" 
    
Oração de Gratidão*  - Amélia Rodrigues 

Muito obrigado Senhor!
Pelo que me deste e pelo que me dás. 
Muito obrigado pelo ar, pelo pão, pela paz 
Muito obrigado pela beleza que meus olhos vem notar da natureza 
Olhos que fitam o céu, a terra e o mar 
Que acompanham a ave ligeira que corre fagueira pelo céu de anil,

e se detém na terra verde  salpicada de flores em tonalidades mil   
Muito obrigado senhor porque eu posso ver meu amor 
Mas diante de minha visão 
Eu detecto cegos que tropeçam na escuridão 
Que andam na multidão 
E que choram na solidão 
Por eles eu oro e a ti eu imploro comiseração 
Porque eu sei 
Que depois dessa lida na outra vida eles também enxergarão
   
Muito obrigado pelos ouvidos meus 
Que me foram dados por Deus 
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro 
A melodia do vento nos ramos do salgueiro 
As lágrimas que vertem os olhos do mundo inteiro 
Ouvidos que ouvem a música do povo que desce do morro na praça a cantar 
A melodia dos imortais, que a gente ouve uma vez e não esquece nunca mais 
A voz melodiosa, canora, melancólica do boiadeiro 
E a dor que geme e que chora no coração do mundo inteiro 
Pela minha faculdade de ouvir, pelos surdos eu te quero pedir 
Porque eu sei  que depois dessa dor, no teu reino de amor, voltarão a ouvir

Muito obrigado pela minha voz 
Mas também pela sua voz 
A voz que canta 
Que alfabetiza, que ilumina 
Que solfeja uma canção 
Que legisla 
Pela voz, que emite a melodia de sua própria voz 
Mas diante de minha melodia 
Eu detecto na Terra os que sofrem de afasia 
Eles não cantam de noite eles não falam de dia 
Oro por eles porque eu sei, que depois desta prova,

na vida nova eles cantarão 
Obrigado pelas minhas mãos 
Mas também pelas mãos que aram 
Que semeiam 
Mãos que agasalham 
Mãos de ternura 
Mãos que libertam da amargura 
Mãos que apertam mãos 
Mãos dos adeuses 
De caridade e de solidariedade 
Mãos que escrevem poesias 
Mãos de cirurgia 
Mãos de sinfonia 
Mãos de psicografia 
Pelas mãos que atendem a velhice 
A dor 
O desamor 
Pelas mãos que no seio embalam o corpo de um filho alheio sem receio 
 
E pelos pés que me levam a andar, sem reclamar 
Muito obrigado senhor, porque eu posso caminhar 
Mas diante do meu corpo perfeito 
Eu olho na Terra 
E encontro 
Paralisados, maltratados, amputados, marcados, deformados 
Eu oro por eles  porque eu sei, que depois desta expiação 
Na outra reencarnação, eles também bailarão  
Obrigado por fim, pelo meu Lar 
É tão maravilhoso ter um lar 
Não é importante se esse Lar é uma mansão, ou
um bangalô, Seja lá o que for 
Mas que dentro dele, exista a figura do amor 
O amor de mãe, ou de pai 
De mulher ou de marido 
De filho ou de irmão 
A presença de um amigo 
Alguém que nos dê a mão 
Pelo menos a companhia de um cão 
Porque é muito doloroso viver na solidão 
Mas se eu a ninguém tiver para me amar 
Nem um teto para me agasalhar, nem uma cama para me deitar

Nem aí reclamarei 
Pelo contrário, eu cantarei 
Obrigado senhor porque eu nasci 
Muito obrigado porque eu creio em ti 
Pelo teu amor, obrigado senhor! 

*Ninguém melhor que Divaldo Franco "canta" esse belo poema: http://www.youtube.com/watch?v=OO4ro-0VSD0

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